quinta-feira, 7 de março de 2013

Alguém puxou o cabo

Caro Leitor,

Minhas malas estão prontas. Vou a Campinas pela última vez amanhã.

Esse final de semana vai ser incrível, com direito à uma despedida, uma pool party e um reencontro do Ejuc. Acho que vai ser difícil conseguir conciliar tudo, mas o engraçado é a mistura de sentimentos que isso me causa. A saudade já está batendo, de amigos e parentes que vão ficar pra trás (eu já estava sem vê-los desde que eu vim pra Tatuí, mas agora eles vão ficar mais pra trás ainda) e ainda assim, rola o sentimento de desconexão, já que eu não tenho mais nada a ver com muitos deles, e que talvez eu nunca mais volte a vê-los - o que, para a minha surpresa, não me deixa preocupado.

E também rola aquela ansiedade pelo futuro, misturada por um pouquinho de medo do desconhecido. Eu estava muito seguro em Campinas, e mais ainda em Tatuí. Eu nunca tive medo de andar sozinho na rua, por exemplo, mesmo consciente de que era uma cidade grande e perigosa. Mas o Rio me parece tão mais selvagem, que eu fico com um pé atrás, se não os dois. A violência característica me preocupa bastante.

Mas vamos lidar com isso depois, né? Por enquanto, vou me preocupar em rever meus amigos uma última vez, além de devolver um monte de livros e . E ainda tem aquela passagem estranha, mas necessária, na casa do meu avô. Campinas, me surpreenda uma última vez!

Com carinho,
Led.

quarta-feira, 6 de março de 2013

Toques de campainha

Caro Leitor,

Hoje eu fui obrigado a me vestir e correr pra atender a porta cinco vezes. Cinco! Com a poodle da minha mãe latindo ao fundo todo o tempo!


Depois de um chamado para o meu pai - Ele está fazendo um curso de horticultura (?!) - e um senhor que procurava imóveis para alugar no nosso bairro, chegou uma encomenda do Submarino pra mim, que eu esperava só daqui a dez dias! O livro era "Teoria das Relações Internacionais - Correntes e Debates", (de Pontes Nogueira e Messari), que eu já devorei o primeiro capítulo sobre a história da estruturação do estudo das RI. Apesar de ter uma sofisticação técnica característica, o texto é bem estruturado e não é difícil.



Mas é engraçado. Paralelo ao livro "sério" de faculdade, eu comecei também a ler Marvel: Civil War, e Marvel NOW! weekly. Já que é pra ler quadrinhos, eu vou ler mesmo. E eu continuo fã do Capitão América, mesmo que o Homem de Ferro seja bem bacana nesse arco.



E hoje também eu passei boa parte da tarde falando com a Lena no telefone, como se tornou nosso costume. Céus, como eu amo aquela menina! O tempo parece se arrastar até Abril, mas estamos cada dia mais próximos do nosso encontro.

Um abraço pra você, Leitor.
Led.


A música de hoje é "Motions", do This Love.

terça-feira, 5 de março de 2013

Fator de regeneração

Eu não sou o Wolverine. Nem o Dentes de Sabre, o Superman ou o Hulk . Mas a recuperação do dia de hoje foi inacreditável.
O dia começou escuro, com uma briga desnecessária com alguém que eu nunca quis brigar. Felizmente, nós pedimos desculpa, fizemos as pazes e deixamos a briga no passado. É tão bom se reconciliar com quem você ama, nossa!

E mais planos para o Rio! Descobri um Centro de Estudos Budistas perto da faculdade e da casa da minha namorada, e estou planejando ir lá de tempos em tempos. Sempre tive vontade de me aprofundar no assunto, e agora essa oportunidade está bem próxima! Estou muito animado!

E continuando no maravilhoso mundo dos quadrinhos, liberaram a grade das matérias, e uma delas é "Tópico Especial em RI II - Histórias em Quadrinhos e Relações Internacionais."
...É, você leu direito. O negócio é estudar o Capitão América mesmo. Uma veterana disse que não pode entrar na minha carga horária porque as optativas começam no segundo semestre, mas eu com certeza vou assistir no mínimo metade dessas aulas de penetra.

Música de hoje foi fácil de escolher: "Iron Man", do Black Sabbath.

F*da-se você também, gato


Não é minha culpa, eu fui obrigado.
Led.

domingo, 3 de março de 2013

Um fantasma próprio e simpático

Caro Leitor,

Meus pais não estão em casa. Eu não me sinto confortável sozinho na casa deles. Parece que eu não pertenço mais a esse lugar.

Sabe quando você está jogando World of Warcraft, e de repente não é mais meia-noite, são 4:00? Isso podia acontecer com março. De repente, é o antepenúltimo dia do mês, eu vejo o show do The Killers com meus amigos, vou pra Niterói, arranjo uma casa, namoro, conheço a faculdade, conheço gente, faço amigos, vou à festas, como, bebo, danço, sorrio, choro.

Como é terrível essa espera toda.

E como eu disse, meus pais não estão em casa. Eu não vou encher a casa e dar uma festa, como eu gostaria. Eu só vou comer lasanha gelada no café da manhã.

Com desânimo,
Led.

Por sinal, eu pus no nome do post e esqueci de comentar. Agora tenho meu próprio fantasma, pra me seguir por aí. É melhor do que um cachorro, eu garanto.


sábado, 2 de março de 2013

O currículo perfeito


Caro Leitor,

Acho que é por eu gostar tanto da noite que o tempo passa tão surpreendentemente rápido. A noite te faz pensar, filosofar e gostar de viver. E ei, foi nessa noite que eu descobri um programa de bolsas (e um de intercâmbio nacional) que pode, eventualmente, mudar completamente a minha vida!

Não vou fazer propaganda porque vai que você, meu leitor querido, é um descendente de japonês estudioso, dedicado e disciplinado, que cursa Relações Internacionais e vai roubar minha vaga? A gente tem que se garantir.

Mas o que me impressionou foi que a mulher agraciada com a única vaga de linguística na Sichuan International Studies University (Macau, China) tinha simplesmente o currículo mais absurdo do universo, incluindo mas não se limitando a Mestrado na USP, doutorado na Unicamp, livros publicados e um nome com auto-completar no Google.

Eu ainda vou ter um currículo muito impressionante, caro leitor. Me espere aí. Eu só preciso começar a acordar cedo.

Com carinho,
Led.



-Música de hoje: "Who?", The Sheepdogs.

sexta-feira, 1 de março de 2013

O começo do começo

Caro Leitor,

   Hoje decidi que vou postar meu diário na internet. Acho que esse era o propósito dos blogs quando começaram, não era? Mas juro pra você, é difícil encarar essa página em branco me olhando com olhos acusadores.
 
   Deixa eu me apresentar direito. Meu nome é Leandro Ortolan dos Anjos. Nasci numa cidadezinha minúscula no interior do Paraná, mas me considero mais uma mistura esquisita de gaúcho com paulista.
   Neste ano, minha vida vai sofrer mudar completamente. Eu explico: Vou pra faculdade. Relações Internacionais, na Universidade Federal Fluminense. Esta não é a primeira vez que eu vou pra faculdade, mas ainda assim a ansiedade não é nem um pouco menor.

   Tenho vinte anos, completos na última sexta-feira, o que é uma bela mudança: Em inglês, deixei o tranquilo nineteen para um severo twenty. Até pouco tempo atrás, eu achava que a isso significaria um novo começo, mas eu estava errado: Será apenas o salto da infância para a fase adulta.
   Eu não vou mais sair do banho e deixar a toalha largada em cima da pia, para alguém colocar no lugar. As minhas roupas não vão se passar sozinhas, e eu vou cozinhar minha própria comida, e isso não quer dizer miojo e pipoca. Quando eu viajar pra São Paulo não estarei indo pra casa, mas sim indo visitar meus pais, na casa deles.

   Essa consideração toda de crescimento é quase angustiante, mas é necessária. E é por decisão minha, um decreto irrevogável de crescimento. Acho que registrar isso tudo é uma forma de assegurar que eu não volte a ser o adolescente rebelde que eu já fui, porque o crescimento deve ser uma via de mão única.

   No meu destino, muitas mudanças me esperam. O "r" carregado do interior paulista vai se destacar. A inegável preferência por Jeans à bermudas vai causar problemas no calor carioca. Uma mineira de características louváveis entrará na jogada, pra dividir experiências comigo. Acho que eu ainda vou falar muito dela aqui, então esperem mais um pouco.

   E nesse clima de mudanças, minhas crenças serão reforçadas ou derrubadas, e eu me tornarei uma pessoa sólida, mesmo que flexível. Se você tiver vontade, me acompanhe. Vai ser um prazer dividir tudo o que eu tiver.

Com carinho,
Led.

Por sinal, eu sempre escrevo ouvindo música. A de hoje foi "Tales from the Heart of Chuang Tzu" do Oliver Shanti.